quarta-feira, 30 de julho de 2008

O Show da Vida




Na maioria dos casos, acredito que os términos (de namoro, "rolo", casamento...) sempre deixam ao menos uma das partes envolvidas com a sensação de estar protagonizando um filme surrealista. É como se, de repente, o diretor do "filme" (que vinha sendo rodado há algum tempo, com as falas, os personagens e a história já mais ou menos delineada) decidisse, por conta própria, modificar o roteiro. E, em vez de promover o desenlace do conflito, rumo ao "final feliz", optasse por modificar abruptamente o estilo da história narrada. A partir de então, uma das partes sai de cena. A outra permanece vivendo dentro do filme, como um protagonista desorientado. Para aquele que fica na história, a sensação é de grande estranhamento. Não sabe para onde ir, o que fazer, qual fala proferir... Fica olhando para o alto, na direção do céu (à exemplo do que acontece em "O Show de Truman") aguardando as novas diretrizes do "diretor(a)". Como se indagasse: "Então é isso mesmo?". "E agora, José?". Silêncio. Ninguém responde. A sensação é a mesma experimentada quando se vê um quadro de Salvador Dali. Relógios derretendo, pessoas de ponta cabeça. Você chega a desconfiar, olhando para o alto, que o lugar do "diretor" foi ocupado por aquele(a) antigo(a) camarada com quem você dividia as melhores encenações... Esse processo pode demorar mais ou menos tempo, dependendo da disponibilidade interna para o sofrimento da atriz/ator em questão, da sensibilidade de cada um, do temperamento, das conjunções sociais e astrais, entre tantos outros fatores (inclusive, demográficos). O processo dura até que se decida fazer como o personagem Truman, saindo furiosamente deste cenário no qual os papéis foram mudados, as pessoas, objetos e lugares embaralhados. Passada a tempestade, eu estou rasgando completamente o cenário que, por tempos, inventei para mim. E não é que a luz do sol parece agradável?

4 comentários:

jurandi disse...

Oi! Bem-vinda à vida!
Parabéns por assumir o leme e o rumo do seu destino.
Às vezes nossos olhos ficam meios confusos quando entramos ou saimos de ambientes com luminosidade diferente da que estamos muito acostumados. Não ligue. Com o tempo tudo ficará mais claro.

Davi disse...

Estava inspiradissima hoje, hein dona Júlia!
Abraços do seu novo leitor diário

Bruno disse...

o diretor rodando...
"final feliz" ou "felizes para sempre"?
tem uma grande diferença aí!!!

Troiana disse...

Júlia! Seu relato me fez lembrar do filme nacional que assisti ontem: Nome próprio.
Quer ver como você sairá aliviada disso tudo? Veja-o, assista-o.
Eu, confesso: Odiei. Mas nesse momento, você pode estar precisando desta "droga".
Bjsssssssss