sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Desculpa mas... eu te conheço?



Aconteceu comigo, deve acontecer com você: como diz a letra de um conhecido pagode, a gente "se apaixona pela pessoa errada". Será que a gente se relaciona mesmo com a pessoa real ou com a imaginada? Qual a porcentagem de realidade e de fantasia que existe nos nossos relacionamentos? E na nossa vida? Já parou para pensar nisso?

Não é novidade: a gente gosta em parte do que a pessoa é, e em parte do que ela poderia ser. Ao menos comigo é assim. Quando decidimos iniciar uma relação, vem junto um pacotinho cheio de promessas e possibilidades. Aos poucos, pode ser que parte deste "pacote" tenha seu prazo de validade "vencido"; parte se revele propaganda enganosa; e parte permaneça a cada dia mais apaixonante. Pode acontecer apenas algum(ns) desses intens. Ou todos eles juntos.

A grande questão é quando insistimos em buscar na pessoa real a pessoa imaginada. Com se fossemos um consumidor que, sentindo-se lesado diante do "produto", em vez de devolvê-lo, trocá-lo ou simplesmente aceitá-lo como ele é, ficamos tentando implementar ajustes. No caso de uma relação, que nada tem a ver com uma compra (graças a Deus!), as adaptações são necessárias. Eu diria imprescindíveis. Mas tudo tem um limite. E é preciso que cada um respeite o seu.

É preciso saber o momento certo de disparar em direção ao outro a libertadora pergunta: "Desculpa mas... eu te conheço?"

Acho que isso vale para todas as relações, inclusive, as de amizade.

O que ocorre, com alguma frequência, é que as pessoas têm dificuldade de identificar seus próprios limites. Ou acreditam que chegou ao limite muito precocemente, sem querer saber de "ajustes" ou, ao contrário, ficam obstinadas em seguir um caminho que há tempos vem se revelando cheio de furos.

Tem muita gente achando que ama quando, na verdade, está é agarrado a uma crença, construída em tempos remotos.

Sábios são aqueles casais que a gente olha e pensa "puxa, como se gostam"... Talvez apenas tenham aprendido a apreciar o movimento, a mudança, e a reverenciar a estranheza alheia.

Aceitar que algumas pessoas não são aquilo que imaginávamos e buscávamos é um grande aprendizado. Simples assim. Nem por isso elas são melhores ou piores. Imagina: se nossos próprios "eus" são tão imprevisíveis aos nossos olhos, o que dizer dos outros?

Cabe a cada um decidir até onde vale abrigar na própria vida a presença desses adoráveis estranhos.

Um comentário:

Hermano disse...

Homem conheça-te a ti mesmo.
Esta é a inscrição que existia num templo muito antigo, na Grécia, onde as pessoas iam em busca do oráculo para se consultar. E eis que as respostas eram sempre muito lacônicas e suas interpretações, dependiam mais de quem perguntava do que de quem respondia.
Parece que no fundo temos as respostas assim é em nós que tudo está (felicidade, infelicidade...)
É isso. Não dá para se pegar nos outros, como se fossem prateleira a nossa disposição. Até porque ninguém tem uma "tabuleta", rótulo ou código de barras nem mesmo manual de instrução. A verdade está no dito popular ... é loteria.