sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os homens são de “morte” – e é pra lá que eu vou! – comendo, rezando, amando...






Com alguns anos de atraso, finalmente fui assistir à peça “Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou”. Que felicidade descobrir a excelente e hilária atriz Mônica Martelli. Enorme no palco, em altura e sagacidade, a Mônica transformou a angústia feminina em motivo de sorriso, gargalhada, e muito bom humor.

A atriz está em cartaz agora na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Para quem é meio “ET” como eu (resiste em ver as coisas no auge da badalação e até hoje não assistiu ao espetáculo) recomendo muitíssimo. Bom programa para o final de semana – inclusive se você tem namorado(a) ou é casado(a), já que a peça é uma reflexão divertida e generosa sobre a eterna busca do amor.

O espetáculo tematiza esta procura incansável por parte de uma mulher que não tem medo de se lançar, como “kamikaze”, nos braços dos seus “marcianos”. A personagem Fernanda se envolve com os mais variados tipos de homem. Sempre pensando: “finalmente, agora eu en-con-trei o caaarraaaa!”. Mas o que ela coleciona são alguns punhados de desilusão que tornam a sua vida ainda mais inquietante e desafiadora. Vejam só um trecho da resenha da peça:

“O tempo que ela gasta com os homens daria para ter dado uma volta ao mundo e ainda ter estudado a história de todas as civilizações.”

Você já refletiu sobre isso? Eu já. Às vezes penso que poderia ter lido a obra toda de Proust, em busca do tempo perdido com desencontros de amor.

Em vez de Proust, tenho lido – também com algum proposital atraso e relutância – o best seller “Comer Rezar Amar – a busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia”.

O que une a americana Elizabeth Gilbert, autora do livro, e a brasileira Mônica Martelli, atriz e autora da peça? Uma temática “mulherzinha” que encara o homem como a força motriz do universo? Claro que não! O que ambas colocam em foco é a busca do amor como a procura por algo mais verdadeiro em si próprias.

Aí está a força dessas mulheres, que souberam universalizar os seus “dramas” transformando-se em sucesso de crítica e de público.

De um lado, o livro, contando as vivências de uma americaninha balzaquiana que decide romper com um casamento “bem-sucedido” aos olhares externos, em busca do “coração selvagem da vida”. Gilbert se lança pelo mundo à procura de seus prazeres mais autênticos, sejam eles degustativos, ligados à espiritualidade e ao amor, em amplo sentido. Essa aposta não se faz sem dor. Nasce do desamparo, e da solidão, comum a todos os seres humanos. Nasce daquilo que tentamos negar ao longo da vida, por meio de um casamento, um bom emprego, e de filhos bem situados.

Do outro lado, a peça. Uma atriz que tematiza a solteirice como momento, igualmente, de grandes descobertas. Martelli e Gilbert são mulheres espirituosas, que me fazem sorrir.
Que este post seja agora uma homenagem às duas. E às Marinas, Virgínias, Clarices...

O que ambas tematizam é a força existente no desamparo e na solidão comum a todos nós, homens e mulheres. (Comum, inclusive, aos homens de morte – ops! de marte).

Neste sentido, afirmo feliz: habitamos o mesmo planeta.


2 comentários:

Ana Vera disse...

Oi, Ju! Amo ler todos os seus posts! Não canso de dizer, você nasceu para escrever! E amei estar com você nos ótimos momentos de "Os homens são de Marte"!

Juliana disse...

Oi Jujuca! A peca realmente e maravilhosa! Sds ... bjuuuuu