quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Aproximação


"(...) a aproximação, do que quer que seja, se faz gradual e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo de que se vai aproximar"

Adoro esta frase da Clarice. Acho tão especial.

As melhores descobertas são aquelas que se fazem aos poucos. As melhores amizades, se tornam sólidas aos poucos. Os melhores amores. Os melhores dias. E a felicidade não teria a menor graça se não tivesse havido, em algum momento, a busca da felicidade. E a sensação de que também ela é tão passageira.

A gente cresce com o sofrimento. Quem fica rindo o tempo todo é palhaço de circo, e palhaço sem graça. Porque o Pierrot tem uma lágrima. E até mesmo o bom palhaço de circo tem muito de trágico. Eu sempre gostei do Pierrot. Nunca gostei de pessoas que se mostram apenas fortes. Eu gosto é de ver onde cada pessoa se esconde. Onde cada um é criança com medo do escuro. É aí que mora o mistério de cada um de nós.

A gente se apega, sobretudo os que têm a lua no signo de Touro. A gente se apega às coisas da vida. Mas é preciso se desapegar, deixar ir embora... Deixar vir, e ir, vir, e ir... Igual às ondas do mar. O que fica mesmo é o gosto de sal na boca.

A melhor parte da praia, e da vida, é o gosto do sal no corpo, e na boca.

Não estou com vontade de escrever nada que faça sentido hoje. Quero o non sense. Quero o surreal. O extraordinário. À propósito, eu fui à exposição. Eu vi a cara da barata e ela estava viva! Portanto, zIMILORDISHT para vocês.

Um comentário:

jurandi disse...

É das margens do rio do de onde vem a areia que vemos e sentimos na praia.
Antes desforme quebrada, suja, ela é levada no choro do rio por correntezas até as profundezas do obscuro fundo do mar para depois retornar a superfície da terra clara, limpa e reluzente.