Não sou uma fã calorosa de novelas. A novelinha da vida real me intriga muito mais. Acompanho de perto o drama de minhas amigas, parentes, colegas de trabalho. Às vezes histórias nem tão emocionantes, cheias de suspense, dor e alegria, mas histórias de vida, que me interessam, emocionam, alegram e fazem sofrer. As pequenas alegrias, conquistas e decepções dos seres humanos são, aos meus olhos, material riquíssimo. E quando eu sou de algum modo envolvida com os personagens destas “tramas”, ou mesmo protagonizo algumas delas, acompanhar as novelas se torna inevitável – as novelinhas da vida real.
A respeito das novelas da tevê, gosto quando se parecem com as tramas da vida real. Nunca gostei de novelas altamente cheias de suspense, intrigas ou luta pelo poder. Porque a vida me parece muito mais que isso. Por este motivo, sempre fui fã daquelas que narram histórias do cotidiano, da vida de pessoas comuns.
Lembro que na infância adorava Top Model, A Gata Comeu. Via no Nuno Leal Maia de Top Model, com aqueles filhos todos, algo do meu próprio pai e irmãos. Lembro até hoje de uma cena em que a Jô, personagem da Christiane Torloni em A Gata Comeu, beijava, um a um, os porta-retratos de seus ex namorados. Um apego ao passado com o qual eu já me identifiquei diversas vezes. Eram novelas despretensiosas, até ingênuas, que me encantavam.
Hoje me vejo capturada pela trama de Avenida Brasil. Praticamente todos os atores desta novela me parecem perfeitos em seus papéis. Adoro ver o núcleo do subúrbio, seu Leleco com síndrome de corno, a excelente periguete e seu namorado gay, a empregada que faz de tudo para criar bem seu filho, e se vê surpreendida pelo rebento marginal. Sem contar com a vilã maior da novela, interpretada pela Adriana Esteves.
Encaro as novelas como fenômeno de massas. Algumas capturam a gente como final de Copa do Mundo. E, se capturam tanta gente assim, algo de interessante ou válido (ainda que um punhado de fortes emoções) elas têm para nos transmitir. No entanto, assisto algumas novelas e me deixo levar por elas com olhar extremanente crítico. Me incomoda ver que a tônica de Cheias de Charme, a novelinha das sete, é o consumismo desenfreado. Ao contrário do que se possa pensar, a novela não é uma “ode” às empregadas, às suas vidas muitas vezes ásperas e cheias de desafios. Tampouco é sobre o poder dos sonhos na vida de um ser humano – o que, por si só, seria ponto para o “bom e belo” na tevê. Nesta trama, tudo o que as “curicas” querem, no fundo, é ser como as “patroetes”. Ter o que elas têm, poder comprar e usufruir do que elas usufruem.
Mesmo reconhecendo estes valores – que de modo algum são os meus – nestas tramas, gosto de apreciar a interpretação de uma excelente atriz, como a Cláudia Abreu. E as músicas grudam que nem chiclete, nos falando de um universo da fama e de um brega chique que a cada dia nos é mais familiar…”Hoje em dia o dinheiro está na mão das modelos, dos jogadores de futebol e das empreguetes”, disse certa vez um dos personagens da novela das sete. Assistir novela não deixa de ser um exercício filosófico e de reflexão antropológica.
Os últimos capítulos têm me incomodado pois as moças passam de shopping em shopping, de cobertura em cobertura, radiantes com a fama que conquistaram graças aos seus hits chicletes. Os autores poderiam evocar neste momento outros valores, outros aspectos da fama.. Mas, ao contrário, parecem buscar alimentar no público o fascínio pela fama, pelo dinheiro, pouco acrescentando de novo a eventuais filosofias e antropologias que poderiam repousar sob a trama – e enriquecer nossa vida.
Também Avenida Brasil.. tem apelado muito – e sido perdoada, por mim, em nome das excelentes atuações. A novela fala da obsessão, da sede de vingança. Mas, muitas vezes, me passa uma péssima sensação, como se na vida não houvesse, de novo, nada além da busca pelo poder, pela revanche, a vingança e – sempre – o dinheiro. Não há sequer um personagem que realmente questione a felicidade que vem com o dinheiro, que realmente faça o público pensar, se alegrar com o “belo e o bom”. Exemplo de dignidade, também a senhora do lixão esconde um passado sombrio e ainda desconhecido do público.
A protagonista da novela sacrifica o amor de toda vida em prol desta sede de vingança. E assim vamos, sendo envolvidas numa sequência de emoções fortes, cenas de suspense quase constante. Nada contra as novelas da tevê. Como disse, vejo, acompanho algumas, me envolvo. Mas, rogo aos autores, que a diversidade e riqueza da vida não seja reduzida ao poder do consumo, do dinheiro e às tramas que só falam às emoções mais fáceis de se alcançar.
O cinema americano está cheio de exemplos de histórias bem contadas e cheias de emoções violentas. Vez em quando, aparece algum revoltado louco no cinema...
quarta-feira, 25 de julho de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Continuação da carta: passeios com Bruno
Bruno deixou por aqui tantas coisas... Expressões superlativas “Noooossa!” “Interessantíííssimo!” “Julíssima!”. Uma gargalhada sonora e gostosa.
Deixou no meu ombro uma marca, do dia em que andávamos de bicicleta pela ciclovia de Ipanema e acabei caindo feio no chão. Foi embora a ferida, mas ficou na pele a lembrança, devidamente suturada pelos raios de sol. Difícil acompanhá-lo, pedalava tão rápido, sempre à frente de tudo e de todos. Corpo e mente em intenso movimento.
Uma vez, quase caí de cara no chão dos nossos 15, 16 anos... Tentava acompanhá-lo de patins, descendo uma rampa no Aterro do Flamengo. O resultado foi fratura num osso que nem sabia existir (descobri que se chamava “escafóide”).
Bruno me fazia perceber a existência de coisas que escapavam ao meu conhecimento. Era desses que ativam nossa intuição. Com ele o tempo era hoje e o momento, agora.
Certa vez acordei em Friburgo com o amigo quicando frenéticamente uma bola de basquete. Intensidade em pessoa querendo viver às 8h da manhã. Em pleno frio serrano.
Tão bom lembrar da volta desta viagem. Estacionados na porta de casa, ele me olha esperto e diz: Vamos agora à Praia da Joatinga? Guardamos as malas e partimos, na hora, para o céu azul e o solzão que expandia aquele nosso encontro.
Em janeiro deste ano, saudosa, reencaminhei para ele uma mensagem antiga. Imediatamente, vinha a resposta:
"eeeeeeeeeeeeee!!!!! que bonito! que surpresa! e que dia bonito hj, tb! quando celebramos o sol, a praia e o mar, novamente? (podemos celebrar a lua tb num banho de mar no posto 6 ou Arpoador...)"
E lá íamos nós, andando e tomando água da coco. Sempre tão pouco o tempo para tanto papo e afeto. É assim que Bruno vive em mim: andando a pé pela cidade, me levando sempre adiante. E eu querendo ficar, apenas mais um pouco, do seu lado.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Carta a um Amigo
Perdi um amigo que para mim era a liberdade. Ele todo era livre, tão livre, que carregava asas. Um dia tentou voar, muito mais alto do que jamais havia sonhado. Saltou amplo no espaço e nunca mais acordou.
Esse amigo para mim é hoje um perfume. O cheiro do incenso que havia em seu quarto. Brisa doce. Barulho de chuva batendo no vidro de casa.
Quando sinto meu peito se abrindo e a respiração pedindo mais vento... é o Bruno quem eu vejo. Nestes dias em que estamos fartos de tudo e temos tanta vontade de uma vida mais bela... Eu tento olhar através da janela: e lá encontro o amigo. Chamando meu nome. Sempre disposto a desbravar um pouco mais do espaço. A explorar ainda um pouco mais a vida.
Bruno não pôde ficar. Não sabemos – nunca talvez saberemos - qual foi o motivo. O que sei, apenas, é que tentou voar. E voou.
Ele, que sempre gostou das alturas. Do alto dos montes, dos morros, das serras. Ele, que sempre soube apreciar a cidade vista de cima, por cima dos prédios, de todos os prédios de cinza e de pedra.
Para mim, Bruno é uma cor, um cheiro tão próprio e muita alegria.
O seu olhar era um jardim florido, como o lá de Friburgo, em dia de sol. Quando ele falava, eu toda acordava, para prestar atenção. Viagens e mais viagens. Muitas vezes, interplanetárias. Ele trazia de seu pensamento muitas pedras preciosas, conchinhas, ouro e estrela do mar.
O Bruno, quando falava, me fazia rir por dentro. Ele era um artista. Maior que Michael Jackson, Madonna ou Charles Chaplin. Muito maior: porque ele era meu amigo. Um grande amigo. O primeiro amor.
Com ele, pela primeira vez, percebi que um homem pode também ser uma pessoa muito sensível. Um homem pode ter ombros largos, bons de abraçar e serem abraçados. A um só tempo, acolher e pedir colo.
Era um homem que percebia a natureza tão própria de cada criatura, com sensibilidade, perspicácia e muita doçura.
Dividia com a gente as adivinhações que fazia, sempre de forma espirituosa e espontânea. Do lado dele, a partir de um certo momento da vida, eu queria apenas me sentar e ouvir. Talvez aplaudir.
Eu pedia conselhos, queria sempre saber um pouco mais de suas impressões. Sobre as pessoas, as coisas, a existência.
Uma vez, triste com o fim de um namoro, fui almoçar com ele em um restaurante japonês, lá no alto de um shopping. No meio da nossa conversa, descobri que eu não estava mais triste. Não tinha um namorado, mas tinha um amigo. O que mais eu podia querer? Prometi ali, para mim mesma, que nunca mais sofreria tanto no mundo, porque, quando me sentisse só, bastava que me lembrasse dele.
Tem coisas que a gente pensa, e se esquece. E a vida passa, e passa a cada dia mais. Voando.
O Bruno dormiu e não mais acordou. Foi embora sonhando, para um mundo onde sonho já não é mais fantasia.
Com este amigo, eu tinha um tipo de relação que temos com plantas e bichos. Não precisamos nem falar. O silêncio era cúmplice. As palavras apenas cobriam com fina camada um horizonte verde, profundo, e farto. Horizonte plantado, regado e cultivado por eras a fio.
Amigo de infância. Amigo de histórias. Irmão em criatividade, em mundo da lua, em vida do avesso.
Juntos, tiramos um dia uma foto, que bem simboliza a nossa amizade: mãos dadas, frente a frente, e nossas bocas abertas em um enorme grito. Olhos bem acordados, gritávamos para o mundo da nossa adolescência. Inquietação, vontade de viver e aprender um pouco mais. Este era o meu amigo.
Este é, para sempre, o meu amigo Bruno.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Luisa está no Brasil

Minha irmã, Luisa, não está no Canadá. Está no Brasil. Com os dois pés bem fincados no chão, anda revoltada com a situação dos desalojados de Pinheirinho, localidade em São José dos Campos que pertence à massa falida da empresa de um investidor de nome árabe.
À serviço da especulação, do lucro desgovernado, o terreno está sendo desapropriado pela polícia paulista.
O destino dos moradores, na área desde 2004, é incerto.
Seis mil pessoas sendo tratadas pela mídia como "vândalos" e "baderneiros". Uns marginais.
O terreno, finalmente, está sendo desocupado. Deu na tevê. É a Justiça.
Felizmente, Luisa, que está no Brasil, não aprovou.
Luisa se chateia, se irrita, chora. (Lá em casa, dizem que ela chorou).
Por que se importar com os moradores de Pinheirinho, se esta noite haverá transmissão do BBB e do fantástico reality show "Mulheres Ricas"?
Luisa é boba... menina ainda.. !
Não sabe de nada...
Não quer vender imóveis nem ver sua imagem estampada em algum outdoor.
Não quer ser modelo, nem posar nua. Tampouco aparecer em propaganda de grandes empreendimentos.
A moça quer, apenas, um pouco de justiça social.
No terreno de Pinheirinho, havia sido construída uma biblioteca comunitária. Totalmente incendiada.
Mas pra que ler, se o que vende é a fama?
Luisa está no Brasil, escolhe este país e quer ser professora.
A moça anda triste. (Lá em casa, dizem que ela chorou).
Existe a possibilidade de, quem sabe, embarcar para bem longe.
Mas prefere os nossos ares daqui.
Luisa não quer saber de pós-graduação em inglês, francês.
Quer mesmo é dar aula em escola pública.
A moça acredita em política.
Felizmente (sim, é verdade!) ainda existem Luisas.
Luisas, e muitas outras, e tantas delas, neste país.
Que saem às ruas, choram, brigam, protestam.
Isso, ninguém me contou. Eu vi.
E não foi na tevê, twitter ou facebook.
Luisa existe: está lá em casa.
No CEP 22061040.
Em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Luisa está no Brasil.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Caiu na rede? Cuidado, peixe!

É possível fazer uma ideia do tamanho do ego de algumas pessoas somente avaliando o número de postagens (comentários, fotos) que inserem diariamente em redes sociais. Se a pessoa não faz parte de nenhuma rede social: parabéns! Que tal, antes de pensarmos neste ser humano como um deslocado sem assunto, imaginarmos que pode se tratar de um homem ou mulher bem resolvido(a), que não precisa alimentar seu ego divulgando aos quatro cantos o que ele ou ela anda pensando, ouvindo, assistindo... fazendo?
Se a pessoa é dessas que insere um número de comentários, links, ou fotos razoável... talvez seu ego seja de um tamanho normal, razoável. Mas... e quando passa de um certo limite..? Pode ser um caso de carência crônica, de ego inflado ou falta mesmo de uma subjetividade mais criativa.
A verdade é que, tenho pensado, a vida real é tão mais bela, intensa e verdadeira do que algumas horas de interação por essas redes sociais... tão mais! A questão é que, agora, aqueles minutos de fama citados por Andy Warhol estão realmente acessíveis para qualquer um. Basta inserir a própria foto em uma página eletrônica, colecionar alguns “amigos”, fazer comentários mais ou menos constantes e tentar tornar a sua vida suficientemente atraente para despertar a atenção alheia.
Mesmo as pessoas que não têm absolutamente nada a dizer sentem-se satisfeitas por serem vistas, “cutucadas”, “curtidas”, enfim, notadas. É uma celebração coletiva da carência – a nossa e a alheia. Tem gente que só falta anunciar o momento de ir ao banheiro.
O comportamento humano também tem me surpreendido nos mais variados ambientes. Já notou no trabalho, como as pessoas agem? Existem aquelas que trabalham, aquelas que trabalham pouco e aquelas que simplesmente não trabalham. O que une todos esses grupos é a vontade cada vez mais constante de mostrar que se está trabalhando. Quanto mais alto as pessoas falam, produzem a sensação de que mais coisas estão fazendo. “Alô? Oi! A planilha eu te enviei. Mas não recebi ainda.. O que? Ah, semana que veeeem? Obrigadaaaa”. Os outros são sempre os incompetentes. As pessoas que falam alto, em geral, trabalham bastante.
Também no trabalho, nota-se a vontade de aparecer, de parecer. Não basta produzir, é preciso ficar bem na foto. Neste ímpeto de ficar bem na foto, muitos se lançam nas chamadas “panelinhas”, movidas por um impulso semelhante ao dos participantes de reality show – não sentir o peso da exclusão. A velha história de entrar no jogo da maioria. Nestes ambientes, florescem as fofocas, os comentários sobre a vida ou o desempenho alheio... Ou seja, a atmosfera de bisbilhotice que originou as redes sociais.
Não precisa ser assim, claro que não. Mas sou contra a proliferação da mediocridade humana, seja em qual ambiente for. Se você caiu na rede, pode ser uma grande alegria. Quem sabe a celebração de um novo espaço coletivo, de um estranho novo comunismo onde todos são quase iguais no que diz respeito ao consumo de fatos e ideias. Mas... cuidado para não virar apenas mais um peixinho morto nesta maré de grandes "novidades".
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Solteira(o) no Rio de Janeiro?
Inconstante, incoerente e superficial. A vida de solteira(o) por alguns momentos te parece assim ? Ouvi recentemente esta definição de uma amiga e fiquei pensando no quanto este aspecto da solteirice já me incomodou. Ser solteira, em alguns momentos, pode se parecer com o estado terminal de alguma doença grave (principalmente se você nasceu ainda na década de setenta, ou, vai lá, no comecinho dos oitenta...). É que nesta fase boa parte das mulheres começa a se encantar com bebês fofinhos que passam no meio da rua, a pensar em esquentar mamadeiras e viver, em família, algo próximo aos comerciais de margarina.
Viver uma rotina feliz, com o homem e os filhos amados bem próximos, em uma casa simpática. Ter um trabalho legal. Poder, vez em quando, viajar pelo mundo, ou pelo país, ou mesmo pelo bairro. De mãos dadas. É ou não é o que boa parte das mulheres (ainda) procura? O mesmo vale para o sexo masculino, com as devidas adaptações. A questão é que esta felicidade nem sempre mora ao lado... Às vezes, acontece de não encontramos a tão sonhada realização por meio da história-margarina. O que fazer?
Para começar... as pessoas não deveriam se definir como “solteiras” ou “casadas” ou “namoradas”. Tem tanta gente casada mais só do que tanta gente solteira. Tanta gente solteira que sabe namorar tão mais do que tantos casais de namorados... E por aí vai. O que agrava a vida de solteira, especialmente hoje em dia, é a superficialidade dos contatos travados entre os sexos. Ainda que seja só sexo, ainda que tenha sido apenas só por uma noite, as pessoas andam muito pouco... criativas, generosas, amigas, cuidadosas.
Se quisermos particularizar a questão, existe um tipo específico de solteiro(a) que age como alguém da Idade da Pedra, puxando pelo braço, agarrando pelo pescoço, atacando na maior sem cerimônia. Sem o menor estilo. Esta espécie, que talvez encontre algum tipo de anabolizante perfeito para se proliferar nas condições climáticas do Rio de Janeiro, também existe, é claro, em todo o continente e por todo o planeta.
Pessoas que dizem que vão ligar e não ligam, que demonstram um afeto falso, que desdenham da consideração e do sentimento das outras pelo simples prazer de alimentar o próprio ego e se envaidecer. Gente que cultiva diversas relações paralelas sabe-se lá para quê. Quando seres como esses topam com gente que, ao contrário, curte se relacionar (ainda que seja durante um simples chope, ou para uma boa transa...) a situação complica.
Nem sempre é fácil identificar esses “tipos” pelos músculos e pelo estilo easy going. Também podem usar óculos e ter cara de intelectual. Ou podem usar saias e ter cara de menina muito sensata. O fato é que pessoas que não sabem – ou não desejam – se relacionar afetivamente existem por toda a parte. Infelizmente, parecem encontrar hoje em dia mais força para reafirmar esta estranha identidade.
Casada(o) ou solteira(o), não deixe que ninguém te defina com base em uma dessas condições que, sim, são passageiras. Não somos, mas estamos. E, estando, vamos sendo... O que importa é o movimento, a nossa busca pessoal, seja pelo que for. Momentos de alegria profunda e genuína experimentamos tendo ou não alguém do nosso lado.
Para escapar da superficialidade, da incoerência e da inconstância, não é preciso que a gente tente, com esforço, se agarrar a uma dessas cercas de fazendinha de comercial de margarina. A busca é mais profunda e, sim, exige algo que encontramos estando ou não solteiras: introspecção e solidão.
domingo, 12 de junho de 2011
Dia do Beagle - 12 de junho - viva o Amor!

Muito me alegra acabar de ler o artigo de um bem humorado colunista que nos informa ser hoje também o Dia do Beagle, o Dia da Rússia e o Dia de Santo Onofre, um eremita que viveu mais de 60 anos no deserto. O que importa neste 12 de junho é lembrar a importância do amor. Sim, por mais piegas e lugar comum que isso possa parecer, o amor ao Beagle, à Rússia, à solidão, devem ser celebrados, não apenas hoje, mas sempre. O amor é lindo, ele move o mundo, etc... Criaram um dia para comprarmos mercadorias em nome deste sentimento tão nobre. Dane-se a data, que ela nos faça valorizar e estimar ainda mais o Amor em seu sentido mais amplo – que anda a cada dia mais multifacetado e colorido.
A propósito, sobre o tema do amor multifacetado e colorido, assisti recentemente a uma entrevista do cartunista Laerte, que assumiu a porção mulher que até então se resguardara, como sendo a “porção melhor que guarda em si agora”. Para quem não sabe, Laerte tem filhos, passou a maior parte de seu tempo nesta Terra como um homem e, recentemente, decidiu se travestir de mulher, num gesto de extrema coragem e ousadia. Ponto para ele – que está redescobrindo o Amor.
Ainda “a propósito”, um filme interessante em cartaz, que tematiza o lugar do feminino e do masculino por meio de uma deliciosa ironia, é “Potiche: Esposa Troféu”, protagonizado pela Catherine Deneuve. Embora ambientado na década de 70/80, o filme traz à tona uma reflexão bastante atual. Sobre o amor em seu sentido mais abrangente, como descoberta do mundo, da política, de si (nós) mesmo(s).
Enquanto vejo muita gente reclamando da falta de amor, ando em um momento oposto. Como o ser humano é interessante! Como a vida é interessante!
Se você não teve a quem dar um presente, compre-o para si mesmo. Ou para o seu cão. Compre um mapa-mundi, localize a Rússia - ou qualquer outro país - e pendure-o na parede da sua casa. Isso nos ajuda a ter a dimensão da amplitude da vida, do espaço, e da pequenez de nossas angústias cotidianas. Enamorar-se é ver a vida de outra forma. E por que precisamos de alguém do sexo oposto – ou do mesmo sexo – para nos provocar esta sensação de maravilhamento diante do mundo?
Se você não (re)descobriu o Amor, faça como a personagem de Deneuve no filme: por mais estranha que possa andar a vida, preste bastante atenção no que te faz cantar: “C’est beau la vie!”.
Sim, a vida é bela! Neste "Dia do Beagle", acredite: não é preciso ninguém em especial para que possamos nos lembrar disso.
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